A PROVAR O SEU PRÓPRIO
VENENO
O
povo da Guiné-Bissau foi traído. Os acontecimentos recentes no nosso país revelam,
mais uma vez, a fragilidade das instituições democráticas perante interesses
instalados. Figuras como Umaro Sissoco Embaló, Biague Na N’Tan, Horta Inta-A, Braima Camará,
Botche Candé, Ilídio Vieira Té, Nuno Gomes Nabiam, entre outros, voltam a
surgir associadas a práticas que contrariam os princípios do Estado de direito
e da soberania popular.
Após
a derrota eleitoral, no dia 26, optaram por ignorar o veredicto das urnas e
recorrer à força armada para manter o controlo do poder. O resultado foi
previsível: bloqueio da democracia, perseguição política e detenções
arbitrárias. Domingos Simões Pereira, Otávio Lopes, Roberto Nbesba, Marciano
Indi e vários outros cidadãos foram privados da liberdade sem qualquer acusação
formal, em condições que violam os mais elementares direitos humanos.
O
início de 2026 ficou, assim, manchado por actos que comprometem a imagem do
país e aprofundam a crise política. O episódio ocorrido na noite de 1 de
Janeiro, envolvendo activistas do PAIGC, liderado por Feliciano Pinto, e o antigo primeiro-ministro Nuno
Gomes Nabiam, poderia ter tido consequências graves, não fosse a intervenção
ponderada de alguns acompanhantes do ativista Pinto.
É
previsível que alguns dos responsáveis golpistas como Braima Camará, tentem agora
proteger os seus interesses pessoais, transferindo-se para o estrangeiro e
salvaguardando patrimónios ocultos em bancos europeus, amedrontados pelas sanções internacionais que não tardarão a constrangê-los. Contudo, a instabilidade
persistirá enquanto não houver liberdade pelos detidos, responsabilização política e respeito efectivo
pela vontade popular.
A
resistência continua. A liberdade não se prende. A Guiné-Bissau será
democrática!