sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

 

A PROVAR O SEU PRÓPRIO VENENO



O povo da Guiné-Bissau foi traído. Os acontecimentos recentes no nosso país revelam, mais uma vez, a fragilidade das instituições democráticas perante interesses instalados. Figuras como Umaro Sissoco Embaló, Biague Na N’Tan, Horta Inta-A, Braima Camará, Botche Candé, Ilídio Vieira Té, Nuno Gomes Nabiam, entre outros, voltam a surgir associadas a práticas que contrariam os princípios do Estado de direito e da soberania popular.

Após a derrota eleitoral, no dia 26, optaram por ignorar o veredicto das urnas e recorrer à força armada para manter o controlo do poder. O resultado foi previsível: bloqueio da democracia, perseguição política e detenções arbitrárias. Domingos Simões Pereira, Otávio Lopes, Roberto Nbesba, Marciano Indi e vários outros cidadãos foram privados da liberdade sem qualquer acusação formal, em condições que violam os mais elementares direitos humanos.

O início de 2026 ficou, assim, manchado por actos que comprometem a imagem do país e aprofundam a crise política. O episódio ocorrido na noite de 1 de Janeiro, envolvendo activistas do PAIGC, liderado por Feliciano Pinto, e o antigo primeiro-ministro Nuno Gomes Nabiam, poderia ter tido consequências graves, não fosse a intervenção ponderada de alguns acompanhantes do ativista Pinto.

É previsível que alguns dos responsáveis golpistas como Braima Camará, tentem agora proteger os seus interesses pessoais, transferindo-se para o estrangeiro e salvaguardando patrimónios ocultos em bancos europeus, amedrontados pelas sanções internacionais que não tardarão a constrangê-los. Contudo, a instabilidade persistirá enquanto não houver liberdade pelos detidos,  responsabilização política e respeito efectivo pela vontade popular.

A resistência continua. A liberdade não se prende. A Guiné-Bissau será democrática!