terça-feira, 1 de abril de 2025

 

ÁRBITRO E JOGADOR

O ex-Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, disse, numa entrevista à Lusa, no dia 22 de março,  que, na próxima revisão constitucional, irá propor que o país adote o semipresidencialismo com pendor presidencial, ao contrário da atual tendência parlamentar.


Onde já se viu tal cilada política? No semipresidencialismo (ou regime parlamentar), o Presidente da República é uma figura consensual, mediador e dialogante, faz papel de árbitro. Esta postura não é, de todo, associada ao regime presidencialista. O senhor Sissoco Embaló, durante os cinco anos de seu mandato, confundiu, arrogante e conscientemente, os papeis de árbitro e de jogador, ao mesmo tempo.

 

RAPA TCHIGA TOTIS

Estamos a viver um momento muito delicado na política do nosso país. Depois do mês de Ramadã, que é um período de jejum, oração e solidariedade, já estamos a aproximar-nos da Páscoa, uma celebração importante para os cristãos que marca a ressurreição de Jesus Cristo.

O nosso povo está exausto com tantas crises políticas. Com certeza, nossos valorosos combatentes pela liberdade não deram seu sangue, suor e lágrimas para isso. A razão pela qual lutamos sempre foi, e sempre será, a defesa do nosso povo.

Será que é difícil entender como ainda podemos conviver com um ex-Presidente da República traidor, que, logo após assumir o cargo, desobedeceu a Constituição que prometeu defender? Será que não percebem que o Estado está a ser capturado, a olho de todos nós, por uma falsa elite que não tem compromisso com o bem-estar da população? 

Para resolver essa situação política complicada, estão três principais exigências que precisam ser discutidas:

1 – Marcação de uma data consensual para eleições simultâneas (legislativas e presidenciais);

2 – Indicação de membros do Supremo Tribunal de Justiça (STJ); e

3 – Eleições dos membros da Comissão Nacional de Eleições.