Analistas dizem que a insurreição da seita Boko Haram está a ser
usada como arma política tanto pelo poder como pela oposição.
A
insurreição dos últimos meses da Boko Haram no nordeste da Nigéria através de
ataques mortíferos lançou o terror e muitos nigerianos afirmam que esta
situação pode destruir as chances do partido no poder em ganhar as eleições no
próximo ano.
Até ao momento não há candidatos declarados às eleições presidenciais do
próximo ano na Nigéria, mas o escrutínio já está a ser visto como um dos mais
disputados da história do país.
Nos Estados do norte, onde os ataques atribuídos a Boko Haram não cessam de
aumentar, alguns líderes afirmam que se não for garantida a segurança na
região, o presidente Goodluck Jonathan não poderá ganhar.
Mais de 700 pessoas foram mortas apenas este ano e cerca de 500 mil outras
foram desalojadas de suas casas. As escolas por toda a região foram encerradas
esta semana depois de uma série de massacres e incêndios de estabelecimentos
escolares.
Khalid Aliyu Abubakar, é secretário-geral da proeminente organização islâmica,
Jama’atu Nasril Islam, explica que alguns dos mandatos mais fundamentais de
cada governo é garantir a segurança. "E não há desculpas que este país ou
esta liderança pode dar, de não ser capaz de assegurar a segurança”, reiterou.
Outras vozes afirmam que nos últimos 10 meses, o regime militar imposto nos
Estados do nordeste do país impediu o alastramento do conflito.
No Delta do Níger, a região rica em petróleo – e berço do apoio popular do
presidente Jonathan – o membro do partido Democrático do Povo, no poder,
Gabriel Osakene, diz que a violência em apenas três dos 36 Estados do país não
vai mudar o resultado das eleições.
“Quantos Estados estamos a falar, onde a Boko Haram é um problema? Se estão a
pensar sobre a questão da Boko Haram, nós só temos três grandes Estados onde se
fala sobre a Boko Haram”, explicou.
O partido no poder na Nigéria (PDP) ganhou todas as eleições desde o advento da
democracia em 1999.
As eleições de 2015 poderão contudo ser diferentes. Pela primeira vez, os
partidos da oposição decidiram coligar-se, formando um poderoso bloco político
denominado Congresso Todo Progressista ou APC, com o propósito de
derrotar o PDP nas eleições do próximo ano.
Mesmo sem a questão da Boko Haram, as eleições nigerianas são muito tensas com
divisões políticas a alimentarem as rivalidades étnicas e religiosas.
A Comissão Eleitoral nigeriana anunciou que está a trabalhar com as agências de
segurança com vista às eleições de 2015.
Em 2011 mais de 800 pessoas morreram na sequência da violência pós-eleitoral no
norte da Nigéria. Voz da América