quarta-feira, 23 de outubro de 2013

“UNITA LANÇA LENHA PARA A FOGUEIRA…”

O Jornal de Angola, a principal voz do regime, virou, desta vez o canhão contra o líder da Unita, Isaías Samakuva. 
O dirigente do segundo maior partido da oposição defendia, há dias, que, os processos judiciais a decorrer em Portugal, que envolvem “atos privados, não soberanos” de dirigentes angolanos, não fossem arquivados. O referido jornal critica a UNITA por ter manifestado apoio à investigação da Procuradoria-Geral da Republica portuguesa. Diz o jornal:  "ao furtar-se a condenar as violações do segredo de justiça em Portugal que atentam contra direitos de honrados cidadãos angolanos, demonstra uma absoluta falta de maturidade política e coloca a UNITA, mais uma vez, no lado errado da história." 
Diz mesmo que "Samakuva conseguiu ir mais longe do que a linguagem de agressão vinda Portugal. Quando toda a cúpula em Portugal já percebeu que está metida num beco sem saída na relação com Angola, por violar direitos de angolanos e por desrespeitar entendimentos de Estado, Samakuva vem lançar mais lenha para a fogueira, à maneira da Jamba.”
É de reparar que o termo “honrados cidadãos angolanos” utilizado pelo Jornal de Angola tem o mesmo significado com o de  “dirigentes angolanos”, também, utilizado por Samakuva. O que indica que todos sabemos que as figuras que estão a ser investigadas pertencem à “roda dentada” e não podem, de maneira alguma, confundir-se com a postura de empresários ou investidores privados nacionais fortes e eficientes que o país precisa para impulsionar a criação de mais riqueza e emprego, como disse, o Presidente José Eduardo dos Santos no seu discurso de Estado da Nação. 
Portanto, tudo indica que estamos todos sintonizados na mesma frequência, incluindo o Jornal de Angola. Falamos todos do mesmo: “os ricos angolanos”. Figuras que, segundo o académico e político, Nelson Pestana Bonavena, nunca chegaram a ser “empresários”, como o Presidente queria pintar no citado discurso. 
Descreveu melhor o académico à Voz de América, dizendo: “tal dita acumulação primitiva de que ele já tinha falado no passado de se estar a efectuar a mais de uma década e meia e ate hoje nós não vemos os resultados desta acumulação primitiva”.