quinta-feira, 15 de outubro de 2015

INSPECTOR-GERAL DE SAÚDE ACUSA FARMACÊUTICOS DE VENDEREM “VENENO E NÃO MEDICAMENTOS”

O inspector-geral da Saúde Pública, Francisco Aleluia Lopes Júnior, acusou na passada terça-feira, os farmacêuticos de venderem “veneno e não medicamentos” à população, tendo acrescentado que a maioria dos vendedores nas farmácias não tem formação naquela área.
 
A inspecção-geral de saúde encerrou 35 farmácias no sector Autónomo de Bissau por incumprimento da lei, ou seja, por falta de condições. Conforme a inspecção, são cinco requisitos que uma farmácia tem que ter para poder prestar o serviço de venda de medicamentos: um balcão principal, um armazém, um gabinete do director técnico, uma casa de banhos e um lugar para dar primeiros socorros em caso de necessidade, tais como medir tensão arterial ou dar uma injecção ao paciente.
 
Francisco Aleluia Lopes Júnior acusou ainda os farmacêuticos de não venderem apenas medicamentos. Disse também que existem outros interesses, porque a maioria dos proprietários são mauritanianos, libaneses e por último guineenses da Guiné-Conacri e com grande poder financeiro, o que justifica que só a venda de medicamentos não pode dar tanto dinheiro.
 
O inspector da saúde explicou que todos os cidadãos estrangeiros que estão a vender nas farmácias formaram sociedades. De acordo com a lei, cada sociedade pode ter até três farmácias, mas o que acontece é que algumas destas sociedades têm mais de quatros farmácias, porque querem dominar mercado de forma desorganizada. Além disso, alguns desses medicamentos não têm registo de garantia ou princípio activo, tal como acontece com os medicamentos de origem, que realmente podem dar algum efeito ao doente. Alguns medicamentos ainda não têm registo de país de origem e do fabricante.
 
O inspector-geraldisse que houve tentativas de intimidação por parte dos proprietários, alegando que estão no país para ajudar a população. A verdade é que a maioria não tem instalações adequadas e além de tudo, existem aqueles que transformaram as suas casas em local de venda de medicamentos, além de haver vendedores de medicamentos ambulantes.
 
ASSOCIAÇÃO DE FARMACÊUTICOS PEDE INSPECÇÃO-GERAL A APLICAÇÃO DE LEI DE FORMA JUSTA
Presidente da Associação Nacional dos Proprietários de Farmácias, Abdalaha Saly Hamidu
O presidente da Associação Nacional dos Proprietários de Farmácias, Abdalaha Saly Hamidu,disse na passada quarta-feira, que apelou ao inspector-geral da saúde para aplicar a lei de forma justa e não desigual, porque existem farmácias que estão a funcionar, mas que não reúnem as mínimas condições e nem respeitam a lei de distância de quinhentos metros.
 
Acrescentou ainda que a inspecção-geral cobrou a vistoria às farmácias num valor de 150 mil francos. Caso o dono não tenha o comprovativo em como pagou a vistoria, é obrigado a pagá-la. Contudo, ainda segundo o presidente da associação, alguns proprietários apresentam recibos ou justificativos de que já pagaram 75.000 francos, valor que não deviam pagar por representar apenas 50% do total. O presidente disse ainda que estão a fazer de tudo para cumprirem com as regras exigidas pela inspecção-geral de saúde.
 
Segundo o Presidente da Associação Nacional dos proprietários das farmácias, o inspector-geral de saúde não cumpriu a lei, porém os inspectores estão a fechar as farmácias não só pelas condições ou não cumprimento da lei. Mas também não fecham as tais farmácias que vendem veneno ao povo. Por isso, querem quea inspecção prove quais as farmácias que estão a vender “veneno” e não medicamentos.
 
A porta-voz de associação, Elsa Sampaio Melo, assegurou que foi uma surpresa perante todos proprietários serem chamados de vendedores de “veneno”, porque se estivessem a vender veneno ao povo,a maioria da população guineense não estaria de vida. Muitos médicos têm compromissos com os farmacêuticos e enviam os seus pacientes com receitas para serem aviadas nas farmácias com as quais trabalham. “Um médico que reúne a ética e deontologiavai enviar um paciente para comprar veneno?” Questionou.
 
Segundo Melo, eles pensam que não é a qualidade de medicamento que está em causa, mas sim o cumprimento da lei e das condições que uma farmácia deve reunir para poder funcionar,porque o país não dispõe de um laboratório que prove que os medicamentos são venenos.
 
Por: Aissato Só