Pelo menos 370 milhões de pessoas, 34% de toda a população do continente africano, atingiram a classe média, indica um relatório do Banco Africano para o Desenvolvimento (BAD) divulgado em Joanesburgo, África do Sul. De acordo com o mesmo documento, a classe média emergente está a ajudar ao crescimento e ao desenvolvimento das economias dos países de África.
Em 2060, este grupo social pode vir a representar 42% da população, segundo o estudo, que começou a ser elaborado há 20 anos. «Existe uma classe média estável e está em crescimento», disse Mthuile Ncube, economista chefe e investigador do BAD e professor na Universidade de Oxford. «Esta é uma grande plataforma para o investimento em África», acrescentou Ncube na conferência de imprensa, em Joanesburgo.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o crescimento da economia africana, com base nos investimentos em recursos naturais e infraestruturas, vá atingir 5,1% este ano, depois de um crescimento de 4,7% registado em 2013. O FMI prevê que o crescimento económico possa chegar aos 5,8% em 2015. O estudo do BAD, que define a classe média como tendo um poder de compra até aos 18 dólares por dia, afirma que é «mais forte» nos países com um «setor privado mais robusto».
O norte de África lidera o primeiro grupo de países, em que cerca de 77% da população da região pertence à classe média, e é «surpreendentemente» seguido pelos países da região centro-africana, com 36% da população enquadrada na definição de classe média, apesar da vulnerabilidade da economia. O sul do continente, onde se situa a maior economia em desenvolvimento — África do Sul —, encontra-se em terceiro lugar, com 34% da população pertencente à classe média, atingindo os mesmos valores dos países da África Ocidental. Os estados da costa do Índico estão no fim da tabela com apenas um quarto da população a atingir os níveis estabelecidos como classe média.
O consumo, a propriedade de bens como televisão, automóvel ou frigorífico e o tipo de pavimento usado nas habitações também são parâmetros considerados para a definição de classe média, de acordo com o estudo do BAD. Outros parâmetros são o acesso à eletricidade, a água potável e a casas de banho.
«A classe média africana aumentou e tem mais poder de compra, tendo fortalecido a economia nas últimas duas décadas (1990-2010) e ajudando, desta forma, a reduzir os níveis de pobreza», refere o estudo, com o título «A classe média emergente em África». Mesmo assim, a nova classe média ainda não consegue reunir poupanças para consumos futuros.
Tsitsi Musaike, investigador e ativista sul-africano sobre as áreas do desenvolvimento, disse que o chamado «síndroma da classe média» diz respeito a uma população que está sempre «falida» e que é preciso criar condições para uma cultura de poupança.