quarta-feira, 8 de abril de 2015

KARINA GOMES APELA AO RESGATE DAS RAÍZES DA MÚSICA MODERNA DA GUINÉ-BISSAU

A cantora guineense Karina Gomes apelou esta quarta-feira à pesquisa e ao resgate das raízes da música moderna da Guiné-Bissau, considerando que os mais novos ainda têm muito a aprender com pioneiros como José Carlos Schwarz.
 
«Temos muito a aprender com pioneiros da música moderna guineense. Há muita coisa a ser resgatada. Temos de pesquisar, buscar as raízes para não nos perdermos porque se não há raiz não há sustento. Esse é um dos segredos», disse a cantora à imprensa na Cidade da Praia, no âmbito da sua participação na terceira edição do Atlantic Music Expo Cabo Verde (AME-CV). 
 
Num concerto em que apelou à «mudança», Karina Gomes disse que a música de intervenção, feita por pioneiros como José Carlos Schwarz, teve um papel muito importante na luta de libertação e pela independência da Guiné-Bissau, esperando que não seja diferente no contexto atual. 
 
José Carlos Schwarz (1949/77) foi um poeta, músico e compositor, precursor da música moderna guineense que continua ainda hoje a ser fonte de inspiração das novas gerações, sobretudo por causa das suas músicas de intervenção. 
 
Para Karina Gomes, que apresentou na Cidade da Praia o seu primeiro trabalho discográfico a solo, intitulado «Mindjer» (Mulher), a atuação em Cabo Verde, terra da sua mãe, foi o concretizar de um sonho e espera que apareçam mais convites para continuar a promover o disco onde faz uma homenagem às mulheres guineenses. «É maravilhoso poder estar aqui com uma banda fantástica de músicos de vários países para partilhar a minha música. E isso já está a dar frutos. Já estou a ser contactada e para mim é um sonho realizado e uma grande oportunidade de projeção», destacou Karina Gomes, considerada pela crítica musical como uma das mais talentosas cantoras guineenses da atualidade.
 
Foi a primeira vez que atuou com banda própria em Cabo Verde, depois de ter participado em dois concertos, um deles, em 2009, no Auditório Nacional para assinalar a data do nascimento de Amílcar Cabral (12 de setembro de 1924), considerado o pai das nacionalidades guineense e cabo-verdiana. 
 
«A cereja por cima do bolo é por cantar no país da minha mãe. Para mim o concerto teve um gosto especial. Só Deus sabe porque escolheu Cabo Verde para eu iniciar a minha carreia internacional», disse, entusiasmada, Karina Gomes.
 
«Estou muito contente com o projeto que tenho desenvolvido há três anos. A organização é fantástica», terminou, para quem as relações culturais entre Cabo Verde e Guiné-Bissau continuem «excelentes», esperando estar mais vezes no país onde a mãe nasceu bem como levar a sua música aos restantes Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP): Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Fonte: Aqui