quinta-feira, 21 de agosto de 2014

INTERNET TRANSFORMA-SE EM "PAÍS COLONIAL"


“Chegaram ao fim os direitos civis, a Internet foi tomada pelos serviços secretos do mundo”. Este é o título dramático do jornal de negócios alemão Deutsche Wirtschafts Nachrichten, que publicou os resultados de um estudo recentemente realizado por um grupo de cientistas e jornalistas da Alemanha.

A conclusão a que chegam pode chocar. No fundo, a Internet tornou-se um espaço ocupado. Segundo eles, docorreu uma “colonização” da WEB pelos grandes serviços secretos do planeta.

Os peritos, que se especializam na esfera dos problemas da segurança informática e da atividade dos serviços secretos, fundamentam as suas conclusões na análise das ações dos mestres de operações secretas americanos, canadianos e britânicos, que utilizam a Internet para os seus objetivos. Os autores do estudo constatam, com base no exemplo da atividade dos serviços secretos desses países, que dispõem das possibilidades técnicas mais modernas, a ampla e ilimitada infiltração das estruturas de espionagem em todos os segmentos da troca de dados eletrônicos, incluindo a vigilância de praticamente cada um dos utilizadores particulares da Internet.

Por exemplo, o Centro de Comunicações Governamental (GCHQ), serviço britânico de espionagem e de defesa da informação do estado, tem como seu objetivo, escrevem os autores do estudo, conseguir o controle total da “rede mundial”. Graças, nomeadamente, à realização do programa “Hacienda”, os funcionários do GCHQ podem hoje, como afirmam os peritos do grupo, realizar a cópia total de redes em 27 países do mundo.
 
Além disso, o objetivo dos britânicos não é, digamos, a monitorização de qualquer um segmento separado da Internet ou a detecção de contatos deste ou daquele usuário concreto. A sua tarefa principal é detecção de sistemas vulneráveis em todo o mundo e reuní-los todos num ficheiro.
 
Por isso, segundo as palavras dos autores do relatório, são “vítimas” das infiltrações ilegítimas na Internet tanto serviços inteiros da Rede, como utilizadores separados, mesmo que os códigos ou passwords “pescados” pelos agentes secretos tenham apenas relação indireta com eles. Os serviços de espionagem, lê-se no relatório, violam os mais diversos segmentos da Internet, esperando conseguir encontrar neles brechas para entrar nos sistemas que mais lhes interessam em primeiro lugar.
 
Além disso, sublinham os autores do relatório, tanto os métodos de espionagem eletrônica, como os objetivos finais dessa atividade têm, no fundo, um caráter global. Neste sentido, a prática do trabalho dos serviços secretos em nada difere das ações dos ciber-criminosos que violam códigos e passwords à procura de vítimas.
 
Só neste caso os servidores de estados inteiros se tornam alvos e a tarefa consiste em procurar lugares vulneráveis na infraestrutura da rede.
 
O resultado prático consiste em que toda a “pesca” que os serviços secretos conseguem fazer na Internet torna-se patrimônio do super-secreto Clube dos Cinco Olhos, união informal dos serviços de espionagem dos EUA, Grã-Bretanha, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Com base em diferentes informações forma-se um único banco de dados e o objetivo global é o domínio completo dos serviços secretos na rede.
 
Segundo denúncias de Edward Snowden, ex-agente da CIA e da NSA, o “velho” parceiro atlântico domina no espaço da espionagem eletrônica. Os aliados também não escapam ao seu campo de visão.
As queixas dos políticos europeus do mais alto nível, por exemplo, de Angela Merkel, chanceler federal da Alemanha, que foi vítima de escutas pelos americanos, não são tidas em conta. O mais que pode fazer a senhora chanceler é considerar a espionagem dos aliados “gasto de forças sem sentido” perante as ameaças do século XXI. Mas ela ressalvou imediatamente e disse que, não obstante isso, a parceria com os EUA “não é posta em causa”. A hegemonia dos EUA na esfera da espionagem eletrônica não levanta dúvidas entre peritos, como, por exemplo, Alexander Khramchikhin, vice-diretor do Instituto de Análise Política e Militar:
 
"Tem lugar uma guerra informativa mundial com a ajuda da Internet e é difícil imaginar que os estados renunciarão ao controle dela. Claro que os americanos foram e continuam a ser hegemônicos. A Europa não pode de forma alguma superar a dependência em relação aos Estados Unidos, em primeiro lugar, psicológica”.
 
A propósito, os europeus aceitam cada vez menos serem aliados de “segunda categoria”. Recentemente, por exemplo, a página da Internet Volkszorn (“Ira do Povo”) pronunciou-se duramente a este propósito. No comentário com o título “Agentes dos EUA na Alemanha mentem, deturpam os fatos e fazem espionagem”, o portal critica os políticos e jornalistas alemães que, seguindo os EUA, se envolveram no atiçamento da histeria antirrussa. A página escreve que agentes dos serviços secretos dos EUA, tentando desviar a atenção da opinião pública das suas ações porcas no planeta, iniciam nos mídia alemães uma campanha caluniosa contra a Rússia. Eles não apresentam provas, simples acusam gratuitamente.

Segundo a página, os jornalistas que com a sua russofobia prejudicam os interesses nacionais da Alemanha são suspeitos: não são agentes pagos da CIA? “Ou talvez mintam gratuitamente? - interroga-se a Volkszorn. – O que é duvidoso”. Talvez não valha a pena acrescentar mais alguma coisa a isso.
 
Oleg Severguin - Voz da Rússia - Foto: Flickr.com/Marcela Palma/cc-by-nc-sa 3.0