Somos os consternados, Senhor Primeiro-ministro!
Parentes e amigos das vítimas dos entes queridos
assassinados e desaparecidos a procura da verdade.
Ainda estamos de luto porque não os enterramos
como mandam os costumes da terra.
As suas “almas” não sossegaram.
Ainda deambulam entre nós! E é pelo “Movimento de
Luta pela Verdade”, e pela paz, que pedimos a Vossa colaboração no sentido de
uma vez por todas, esclarecer esses mistérios políticos horrendos.
Senhor Domingos Simões Pereira, as vitimas eram
todas deputados e políticos. Por isso lhe alertamos que sem direitos do homem
reconhecidos e protegidos, não há democracia; sem democracia não existem as
condições mínimas para soluçao pacífica dos conflitos.
Nós parentes e amigos das vítimas, não pedimos
consulta de ato ou informaçao processual. Exigimos apenas justiça! Por isso,
pedimos a Vossa Excelência que não use o “segredo de justiça” como álibi ou
como buraco onde se escondem e cobrem a incompetência, displicência e
desinteresse com que se trata o sistema judicial (Estado).
Senhor Primeiro-ministro não se deixe cair na
esquizofrenia dos políticos e poderosos em relação a esta nossa reivindicação,
a ponto de transformar as vítimas dos crimes - nós e nossos entes queridos
assassinados e desaparecidos - em infratores do “segredo de justiça”, logo
autores do crime, tendo o acessório o lugar essêncial, na Vossa avaliação.
Aproveite, Vossa Excelência e demonstre a Vossa devoção perante a vida e às
causas humanistas e modernas. Seria, no nosso ponto de vista, uma oportunidade
para se esquivar da ideia trivializada de democracia, permitindo a coexistência
do Estado democrático com sociedade fascisante, conhecidas como democracia de
baixa intencidade. Colabore enquanto cidadão e o “rosto” visível do nosso povo
e Estado!