quinta-feira, 25 de maio de 2017

"SEM PAZ EM CASAMANCE NÃO HÁ ESTABILIDADE NA GUINÉ-BISSAU", DIZ SALIF SADIO

Líder do Movimento Frente Democrática Casamance acusa França, Portugal e Inglaterra pela situação na região.
 
O líder do Movimento Frente Democrática Casamance (MFDC), que tem defendido a independência total daquela regional meridional do Senegal, considera que a Guiné-Bissau pode jogar um papel importante nas negociações de paz com Dakar.
 
Salif Sadio afirma, no entranto, que os governantes nacionais guineenses estão envolvidos em corrupção e cumplicidade com as autoridades senegalesas.
 
Em entrevista à VOA e a outros órgãos de comunicação social nesta quinta-feira, 25,voltou a destacar os laços históricos entre os guineenses e a população local, mas disse que sem a paz em Casamance a Guiné-Bissau não pode encontrar a estabilidade.

Salif Sadio, falando em crioulo e francês, acusa os lideres políticos guineenses de corrupção na guerra de Casamance e afirma que estes têm feito trabalho para o Senegal, prejudicando assim o valor histórico que une os dois povos:
 
“É claro que a Guiné-Bissau joga um papel indispensável e é uma parte importante no diálogo entre o MFDC e o Senegal, mas o dinheiro do Senegal, afectou este papel que devia ser jogado pela Guiné-Bissau”, explicou.
 
O líder do MFDC evidenciou o processo de negociações com curso, mas destacou que o Senegal não tem respeitado o seu engajamento.
 
Outra nota a registar nesta entrevista de Salif Sadio na sua base militar, é que, depois da partida de Iaia Djeme, com o qual, segundo informações disponíveis, mantinha relações geoestratégicas, o líder do MFDC disse estar aberto para receber qualquer contribuição do novo presidente gambiano, Adama Baro, para o processo de paz na região de Casamace.
“Desde que seja feita na base da verdade e justiça, avisa.

O líder do Movimento da Frente Democrática de Casamance acusa Portugal, Inglaterra e a França de serem responsáveis pela guerra naquela região, argumentando, por outro lado, que os armamentos utilizados pelo Senegal, contra os seus guerrilheiros, são fornecidos pela França e que a guerra é com a França e não com o Senegal.
 
Salif Sadio lança um apelo à verdade e justiça, alegando que sem a justiça não se pode falar de paz no mundo.