segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

CADOGO JR.: O ANJO DA PAZ?

Carlos Gomes Júnior, ex-PM, foi destituído do poder em 12 de Abril de 2012, quando nas eleições simultâneas desse ano tentou, incongruentemente, candidatar-se às presidenciais. Acolhido primeiro pela CEDEAO e depois asilado em Portugal. Hoje reside em Cabo Verde, de onde viaja constantemente para Portugal. Decidiu visitar Bissau, sua terra natal, no dia 18 de Janeiro deste ano (2018). Diz ele com o propósito de “abraçar os seus irmãos e encorajá-los a seguir via de diálogo porque a reconciliação é possível”. Declarou também à imprensa estar “disponível a candidatar-se à liderança do PAIGC, se os militantes assim o entenderem”.

Cadogo Jr., fez, para já, declarações bombásticas e que nos convocam a todos para uma reflexão sobre a sua nova estratégia política.



Foi “Anjo” ou Satanás que foi enviado à nossa terra, na passada quinta-feira, dia 18 de Janeiro? Se observarmos bem, Cadogo Jr., não viajou com a sua família. Porquê? A reposta a esta pergunta é de que ele estaria em tratamento médico em Portugal. Então, a família minimamente organizada não tem um plano? Porque isso acontece justamente neste momento decisivo da vida do seu marido? Outra questão: esta é a primeira “visita” (prospecção) a Guiné-Bissau, do Cadogo Jr., desde o seu asilo em Portugal e Cabo Verde, quantas prospecções dessas pensa fazer até a fixação definitiva da residência em Bissau? Ele ainda não chegou a sua casa. Encontra-se alojado no Ledger hotel. Cadogo Jr., não está focalizado em negócios, como tem sido aconselhado pelos familiares e amigos. E quais as motivações que estão por detrás da sua obcecação pelo poder? A postura de Cadogo Jr., nunca foi de empresário normal como os que conhecemos no mercado. Talvez pudéssemos até compará-lo com a da angolana Isabel dos Santos. Ele foi a pessoa a quem o assassinado Presidente da República, General João Bernardo Vieira (Nino) confiara a “gestão” dos seus bens patrimoniais. O dito-cujo aproveitou dessas mordomias para benefício próprio e da sua família, sobretudo, para se lançar na política activa, dando-se nas vistas justamente no período da guerra civil e 1998. Diz-se que a história repete-se.

Já deu para perceber a estratégia cadoguista. Esta visita durará uma semana. Ele voltará várias vezes a Guiné-Bissau para a desforra política. Não escondeu a sua ambição política de atingir a Presidência da República, muito embora tenha clara consciência de que para chegar a “berlinda”, terá que retomar, primeiro, a liderança do PAIGC. Ideologicamente pertence a direita salazarista, muito embora usa o goro de Cabral. Não está na sua agenda política fazer aliança com, por exemplo, o PRS de KumbaYalá. Procurará reunir alas desavindas no seio do PAIGC (os 15 deputados expulsos e a Direcção do PAIGC), para se catapultar para o topo. Outro cenário: tem sido a “casualidade” político da ala do Presidente JOMAV no PAIGC, resultante da exoneração do Governo de Umaro Cissoko. Conclusão: o PAIGC volta a Leilão, para quem fizer a melhor oferta. JOMAV, DSP ou Cadogo Jr.?

Cadogo Jr., será o Messias ou um lobo com pele de cordeiro, no meio dos dois (JOMAV e DSP)? Cadogo Jr., tem um “handicap”: as 12 queixas-crime e processos de gestão danosa na justiça contra a sua pessoa. Ele sabe da gravidade da situação. Dizia na altura o PGR, Abdú Mané, que ele deveria ser chamado às instâncias judiciais assim que regressasse a Bissau, por ser considerado suspeito em alguns assassinatos ocorridos em 2005 (…). Inclusive, em Outubro de 2012. O Ministério Público Guiné-Bissau enviara às autoridades portuguesas uma carta rogatória pedindo que Carlos Gomes Júnior viajasse até Bissau para ser ouvido no âmbito do processo da morte de Hélder Proença, assassinado em 2009. O MP terá enviado a segunda nota para saber o porquê da demora, mesmo assim Cadogo Jr., nunca se dispôs a responder em Bissau por considerar não estarem reunidas todas as condições de segurança.

Os crimes de sangue de pessoas com cargos públicos não se prescrevem. Porquê que se encerra uns e não os outros, se são todos processos que enceram crimes de sangue? A actual PGR, Dr. Bacari Biai, está na mira não apenas dos familiares de dirigentes políticos e militares assassinados em 2009, mas de todos nós. O analista político Suleimane Cassamá alerta-nos de que “interesses políticos e financeiros” poderão estar por trás da decisão de mandar arquivar as investigações existentes.

BOLA STA NA BANTABÁ!