sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Opinião: “A JUVENTUDE GUINEENSE, SEGUNDO CARLOS LOPES”

Em primeiro lugar, é preciso salientar que já se justificava assistirmos, cá entre nós, o testemunho do guineense, Carlos Lopes, sobretudo por se tratar de uma personalidade a quem dispensa apresentações e, por assim dizer, ter  direcionado a sua comunicação aos jovens que ele próprio considera – “PRESENTE” – do continente africano, tendo realçado que a juventude “é uma construção social (de 18 à 35 anos, ONU).

Na medida em que, há casos de jovens que, pelas vicissitudes e pelas dificuldades da vida, se aparentam muito mais “velhos” do que são, ao passo que há, por outro lado, indivíduos “velhos” em termos da faixa etária que se apresentam, paradoxalmente, muito mais rejuvenescidos do que efetivamente são (…).

Até por que, o futuro e o presente se confundem e se misturam, mutuamente…

No caso paradigmático africano, a idade média dos nossos líderes é três (3) vezes superior à média  etária das populações africanas. Contudo, os dados fiáveis apontam que até (2034) a África terá a maior “Força de Trabalho” do mundo…

Pode-se considerar, de certa forma, problemático ou até mesmo discutível, mas entretanto, o Crescimento Demográfico produz, quase sempre, o Crescimento Económico (…) há, inclusivamente, casos que comprovam este facto, desde a Índia, a China ou, até mesmo, o Brasil…

E, por conseguinte, a África é o “reservatório da juventude” do mundo, por isso, ela podia e devia tirar maior partido dessa vantagem demográfica. No entanto,  é um continente que, devido à escassez do investimento em novas tecnologias, vai perdendo “espaço e tempo”, em termos de produção tecnológica e  em conhecimento, comparativamente, aos países como Japão, por exemplo…

Com efeito, este país nipónico tem a maior dívida pública do mundo. Com, aproximadamente, 40% da sua população, acima de 65 anos – (Fenómeno KEIRONOI). Tudo indica, que pelos cálculos mais recentes, se essa tendência se mantiver o Japão poderá ter até em (2050) cerca de 1.500.000 de pessoas com mais de 100 anos de idade, face aos atuais 68.000  centenários, o que constitui, por si só, enorme desafio.

Ora, a verdade é que, não obstante, a evolução tecnológica mundial, com o advento da Revolução Industrial de (1750), acontece que os “Robôs”, ainda, não pagam impostos e, muito menos, descontam “Segurança Social”. Ou seja, significa dizer que, por enquanto, caberá aos seres humanos esse papel contributivo à economia, feliz ou infelizmente…

Perante essas objetivas constatações e analogias, o ex-secretário-geral adjunto da ONU formulou convite aos Jovens Guineenses, em específico, para seguirem, atentamente, as “Megatendências” seguintes:

1- As Questões Demográficas (População);
2- Os Aspectos Tecnológicos (Inteligência Artificial);
3- As Mudanças Climáticas; e
4- As Exigências de Políticas Estruturantes.
Por último, destacou a existência de duas (2) Áfricas:
– A primeira é a África Reformista; e
– A segunda é a África Neo-Patrimonial – “Nha Quinhão”.

O problema, entretanto, não são propriamente os afro-pessimistas que defendem à todo custo “NHA QUINHÃO” – “VISÃO PATRIMONIAL” das coisas, mas sim a POLÍTICA e as peripécias dos actores políticos, tendo em conta à existência de “sociedades bloqueadas”, nas quais acontecem “coisas estranhas”, como é o caso da Guiné-Bissau – uma sociedade que está “presa” às seguintes questões:

– Primeiro: Valorização do local de uma forma negativa;
– Segundo: Uma sistemática prática que diminui a esperança;
– Terceiro: Nosso habitual popularidade ou “falso radicalismo”.
À título de exemplo, tendo em conta que a Índia –  “maior” parceiro comercial da Guiné-Bissau, uma vez que importa cerca de 90% da nossa castanha de caju “in natura”. Todavia, o facto curioso é que este país asiático não dispõe, até neste momento, de uma única representação diplomática, digna deste nome, na Guiné-Bissau e vice-versa…

Será que isto custa tanto, pelas razões do interesse económico?

Será que a Guiné-Bissau não podia “diminuir” a importação de viaturas de alta gama?

Será que a Guiné-Bissau não devia deixar de apostar, teimosamente, numa economia de “coleta” de caju e outros recursos naturais?

Será que Guiné-Bissau podia, face às questões de mobilidade urbana, adotar “moto-táxis” e outros meios de transporte com menor custo, à semelhança de alguns países da nossa sub região?

Finalmente, realçou que “devemos transformar os nossos pessimismos da realidade pelos optimismos da verdade”…

Enfim, tornou-se imperativo recorrer ao discurso do Amílcar Cabral (1969):
“Esperar o melhor, mas preparar-se para pior”

Bissau, Janeiro de 2018.
Bem haja…!

Por: Santos Fernandes