quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

GUINÉ-BISSAU: ANTÓNIO PATRIOTA ACREDITA QUE PRÓXIMAS ELEIÇÕES PODEM SER O PASSO HISTÓRICO


Nova Iorque - O presidente da Comissão das Nações Unidas para Consolidação da Paz, António Patriota, defendeu quarta - feira no Conselho de Segurança que as eleições de 13 de Abril "tem o potencial para ser o mais importante passo para a consolidação da democracia na história da Guiné-Bissau."
No final da semana passada, o Presidente de transição da Guiné-Bissau, Serifo Nhamadjo, marcou para o dia 13 de Abril a realização das eleições gerais, dando sem efeito a anterior data de 16 de Março. 
Patriota visitou o país em Janeiro, durante uma semana, e considerou o impacto do golpe de estado de 2012 como "devastador". 
"Encontrei um país em grave crise económica, apesar dos seus recursos naturais e potencial humano. As consequências do golpe atingiram de forma mais dura os mais pobres e vulneráveis e, aparentemente, não atingiu os seus responsáveis", disse o embaixador do Brasil na ONU.    
"Estou convencido que a impunidade na Guiné-Bissau é resultado da persistente crise política, de instituições frágeis e de obstáculos por resolver na relação entre a população civil e militar", acrescentou. 
Patriota informou os membros do Conselho de Segurança que, nos encontros que teve, "o crime internacional e o tráfico de droga continuam a ser grandes preocupações, apesar das avaliações que indicavam um declínio relativo."   
O embaixador terminou enumerando três objectivos a médio prazo: a nível institucional, fechar um ciclo transferindo o poder para responsáveis eleitos, a nível social e económico, melhorar os indicadores focando-se na segurança alimentar e no desenvolvimento rural, e, por fim, no sector da segurança, criação de uma plataforma de coordenação do apoio internacional que apoie a modernização do sector privado.    
O embaixador de Moçambique na ONU, António Gumende, falou em representação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).    
"Intimidação, violação dos direitos humanos, falta de acções concretas para combater impunidade, restrições a liberdade de expressão e reunião que causam um clima persistente de insegurança são preocupações", disse o diplomata.  
No mesmo encontro, o representante especial da ONU em Bissau, José Ramos-Horta, defendeu que "não devem ser aceites desculpas adicionais" para um adiamento das eleições na Guiné-Bissau.    
 A 13 de Abril, os guineenses vão escolher os deputados ao parlamento e um novo Presidente da República, acabando o processo de transição iniciado em Abril de 2012, na sequência de um golpe de Estado militar que destituiu os órgãos eleitos. Angop