Cerca
de 8 por cento das crianças cabo-verdianas dos zero aos seis anos está por
registar, percentagem que sobe para 28,4% entre menores de um ano, revelou hoje
o Instituto Nacional de Estatística (INE) de Cabo Verde.
Segundo
o Inquérito Multiobjetivo Contínuo de 2013, no módulo Práticas Familiares,
entre as crianças registadas, 6,2% não possui o nome do pai.
Entre
as razões para o não registo das crianças está a falta de documentação,
principalmente do pai, o facto de os pais serem estrangeiros ou da mãe ser
casada com outro homem (32,7%), desinteresse dos pais (24,6%) e ausência do pai
(18,6).
No
que diz respeito à proibição de alguns comportamentos, 56,5% dos
"cuidadores" cabo-verdianos declararam ao INE que agridem as crianças,
enquanto 16,4% ameaçam com castigos e 40,7% incentivam as crianças a obedecer.
«O
inquérito do INE veio comprovar algumas hipóteses que já tínhamos em relação ao
comportamento dos pais, que afeta diretamente o desenvolvimento físico,
psicológico, cognitivo e social das crianças», prosseguiu Marilena Baessa,
avançando que as famílias devem mudar os seus comportamentos logo na pequena
infância, sob pena dos hábitos terem impacto na adolescência, juventude e na
vida adulta.
Quanto
às razões para os pais não registarem os seus filhos, Marilena Baessa indicou
que o Ministério da Justiça cabo-verdiano já está a tomar «providências» no
sentido de mudar o Código Penal e passar a ter mão mais dura para os que fogem
às suas responsabilidades como progenitores.
A
presidente do ICCA, Marinela Baessa, sustentou que alguns dos dados são reflexo da pobreza do
país, mas avançou que o Governo está a fazer todos os esforços para minimizar o
flagelo, dando mais atenção às crianças e às famílias, «onde está a base para
toda a sociedade». Fonte: Aqui